Sempre que um novo ano se inicia, é muito comum avaliarmos o que fizemos no ano que passou e quais os nossos objetivos para o ano que vem. Notamos que alguns se sentem orgulhosos e realizados ao ver que seus objetivos foram conquistados, enquanto outros se sentem um tanto frustrados ao ver que suas metas não foram atingidas. E este sentimento é presente tanto nos objetivos pessoais quanto empresariais.

 

Vamos analisar uma “meta” muito presente na virada de ano: perder peso. Quem costuma frequentar academias ou praticar corrida de rua percebe como no início de ano sempre aparece um grande número de novos praticantes. Gente que você nunca viu antes, mas que após o Carnaval já não dão mais as caras.

O que faz com que este fenômeno se repita ano após ano? Falta maior persistência? Os amigos e os eventos não colaboram na luta contra a balança? São várias as razões, mas pretendo destacar uma em especial: ao dizer que sua meta é perder peso, você não traçou uma meta pra valer. O que você de fato estabeleceu foi um objetivo, e isso faz muita diferença em seu empenho e compromisso para atingi-lo.

 

Be SMART: concretizando seus objetivos

 

Economizar mais, ter mais tempo para si ou praticar atividades físicas são objetivos que muitos desejam alcançar. Para que se convertam em metas, é necessário que atendam a cinco requisitos: ser específico, mensurável, alcançável, relevante e ter um prazo bem definido. Dedicar oito horas semanais a pratica de atividades físicas. Reservar mensalmente 12% do salário exclusivamente para a poupança até o final de 2017. Estes são exemplos de metas.

Metas realmente inteligentes: indo além do SMART

Autor:

Mauro Rodrigues - Consultor em Inovação no Relacionamento com o Cliente

Idealizador do Fermento nos Negócios, confesso que não sou muito criterioso ao traçar minhas metas pessoais. Contudo, faço sempre o que está ao meu alcance para que meus clientes possam alcançar suas metas com sucesso. SAIBA MAIS...

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Estabelecer metas SMART e planos de ação são ótimas práticas, mas não suficientes para que você obtenha sucesso em seus planejamento estratégico. É preciso ir além, como mostra um estudo publicado na Psychological Bulletin que analisaremos a seguir.

 

Por que alguns atingem suas metas e outros não?

 

Um estudo realizado pela APA (Associação Psicológica Americana) analisou as pessoas que tiveram um resultado contrário ao que comentamos no início do artigo: elas atingiram as metas que estabeleceram para si mesmas. Os cientistas verificaram que estas pessoas foram bem sucedidas porque monitoraram o próprio progresso. Até os pequenos avanços eram registrados.

 

Além de ter maior noção do progresso que estavam realizando, o estudo mostrou que o fato de algumas pessoas tornarem público este progresso as ajudou a atingirem suas metas. Uma pessoa que busca perder peso, por exemplo, pode conseguir melhores resultados se postar nas redes sociais quantos quilos está perdendo ou se resolver pesar-se na frente de outros. O apoio de seus amigos de outras pessoas parece ser um combustível extra para que a pessoa prossiga na sua luta contra a balança.

Conheça ótimas práticas que podem ajudar seu negócio a não apenas planejar metas certeiras, mas a alcançá-las para valer

Pensemos numa empresa que deseja aumentar sua lucratividade. Estabelecer metas do tipo “aumentar a satisfação dos clientes em 15%”, “dobrar as vendas até o fim de 2018” ou “aumentar o tíquete médio em 12% no primeiro semestre” não são a forma correta de medir seu resultado. Ter clientes mais satisfeitos, vender mais e obter maior resultado com vendas são, sem dúvida, caminhos que você pode trilhar para aumentar seu lucro. No entanto, não são garantia de maior lucratividade. A base de custos da empresa, por exemplo, também pode aumentar com as medidas que você tomou para alcançar estes resultados.

 

Situações como esta podem levar as empresas a não perceberem os resultados, apesar de tanto esforço. Imagine a conversa de um dono de negócio com seu vendedor: “Não estamos conseguindo aumentar nossos lucros como esperávamos. Precisamos trabalhar mais”. E os vendedores respondem: “Mas os clientes estão cada vez mais satisfeitos, comprando mais e nossas vendas dobraram. Fizemos a nossa parte. Batemos nossas metas”. Como sair dessa sinuca de bico? Por isso a meta e seus indicadores devem sempre estar relacionados ao objetivo que se deseja alcançar.

 

Trabalhando para que todos se engajem e conquistem as metas

 

Vimos que traçar metas SMART e um plano de ação para levá-las adiante não são suficientes. É importante monitorá-las a partir dos indicadores mais adequados e tornar público os resultados alcançados. Todavia, quando falamos de negócios geralmente estamos nos referindo a um esforço coletivo, em que várias pessoas devem fazer sua parte para que as metas se concretizem. Por isso não basta se preocupar em como as metas são estabelecidas. É preciso saber “vendê-las” para sua equipe.

Fauzi Mansur, doutor em Psicologia pela UFRJ, explica que “nossa mente precisa da construção de caminhos para chegar a resultados. É claro que conseguir cumprir certas tarefas, muitas vezes, independe da gente. Existem coisas que não podemos controlar. Mas grande parte do caminho percorrido está ligado a nossa força de vontade. Monitorar um caminho é a certeza de que a nossa parte, pelo menos, estamos fazendo”.

 

Caso deseje saber mais sobre metas e planejamento estratégico ou deseja partilhar sua experiência e contribuir com este tema, fique a vontade para deixar seu comentário abaixo ou entrar em contato conosco.

 

Artigo fermentado em 05/12/2016

Estes cinco requisitos fazem parte da metodologia SMART, essencial para o planejamento estratégico pessoal e empresarial. Você pode conhecê-la melhor a partir deste ótimo material do Movimento Empreenda, que traz inclusive um formulário e um passo-a-passo para que você construa suas metas e um plano 5W2H, visando concretizá-las.

 

Durante o tempo em que participei em um projeto do SEBRAE, realizei um breve diagnóstico de planejamento estratégico com diversas micro e pequenas empresas. Quando perguntava se os objetivos da empresa estavam bem definidos, todos os empresários respondiam que sim. Quando questionava se as estratégias para atingir estes objetivos estavam bem definidas e eram de conhecimento dos colaboradores a situação se complicava. Acho que conheci apenas uma ou duas empresas que possuíam metas bem definidas, partilhadas com sua equipe e todo um planejamento estratégico para alcançá-las.

 

Um dos empresários que estavam neste nível de planejamento havia trabalhado por anos em uma grande empresa, ocupando cargos estratégicos. E ficou claro como sua experiência e sua vivência fizeram com que ele trouxesse boas práticas de planejamento estratégico para a sua empresa. Não esqueço a minha surpresa ao ver uma planilha em que ele acompanhava diariamente os resultados da sua empresa e como estava o cumprimento das metas. E seus negócios estavam indo muito bem.

 

Ao observar o contraste entre a realidade deste empresário e a dos demais que estava acompanhando, compreendi porque poucos empresários possuíam um planejamento estratégico: a maioria acredita que isso é só para grandes empresas. Acreditam que, na correria do dia-a-dia, o planejamento seria só uma preocupação a mais para eles, com resultados incertos. Já havíamos analisado este tipo de perfil e a importância do planejamento estratégico em nosso artigo sobre Valores, reforçada por dados de uma pesquisa do SEBRAE.

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Um ponto muito interessante da pesquisa foi a de que o monitoramento deve ser feito usando indicadores relacionados ao seu objetivo principal, e não sobre as tarefas relacionadas a este objetivo. Por exemplo, se o seu objetivo é perder peso, a quantidade de quilos que deseja perder deve ser o seu indicador. Monitorar quantas calorias consumiu no dia ou quantas horas de atividade física você realizou podem ser úteis, dado que a prática de exercícios e uma dieta balanceada ajudam a alcançar seu objetivo de emagrecer. Contudo, o que você deve monitorar mesmo é a quantidade de quilos que você perdeu. Esta questão pode parecer óbvia, mas quantas empresas e quantas pessoas mensuram o que não condiz com seu objetivo final?

Uma venda tem maiores chances de ser bem sucedida quando os benefícios e o valor agregado são muito nítidos para quem está comprando o produto. Desta forma, é necessário ter em mente que a meta não é o fim em si, mas um processo. Parece complexo? Voltemos então ao exemplo das pessoas que desejam emagrecer para que esta ideia fique mais clara.

Uma pessoa que tem por objetivo perder peso e traça uma meta de perder tantos quilos em um determinado intervalo de tempo está buscando muito mais que a perda em si. Estar mais magra não é o objetivo final. O que ela realmente busca são os benefícios que um corpo mais esbelto irá lhe proporcionar. A alegria de usar roupas que já não lhe serviam mais. A satisfação com a própria aparência e o desejo de se sentir mais atraente. O comprometimento com um estilo de vida mais saudável e com maior bem-estar. São várias as razões que podem estar por trás das metas que cada um estabelece para si próprio.

Se você deseja que seus colaboradores se comprometam verdadeiramente com as metas do seu negócio, foque nos ganhos e benefícios que todos poderão obter. E quando eu digo todos, refiro-me não apenas à empresa, mas como os próprios colaboradores podem se beneficiar pessoalmente caso sejam persistentes e alcancem as metas. E para a “venda” destes benefícios, use de recursos como o storytelling e o enfoque em aspectos emocionais.

 

Acredito que você pode obter melhores resultados se, além de tudo isso, convidar seus colaboradores a participarem da construção das metas com você. Eles tendem a se sentir mais integrados, refletindo em um maior compromisso com o planejamento estratégico que eles ajudaram a edificar.

Traçar metas SMART e um plano de ação para levá-las adiante não são suficientes. É importante monitorá-las a partir dos indicadores mais adequados e tornar público os resultados alcançados

Quero finalizar com uma dúvida que muitos empresários têm neste momento quanto à rigidez das metas. Afinal, devo estabelecer metas praticamente impossíveis como forma de motivar minha equipe? Ou devo ser menos ambicioso e não correr o risco, caso as metas não sejam alcançadas, de disseminar um sentimento de frustração entre a equipe? Metodologias como a OKR incentivam metas bem ambiciosas, mas acredito que a cultura da empresa e o perfil da sua equipe é que deve ter maior peso nesta decisão.

 

O sentimento de estar sendo desafiado é crucial para que o ser humano se sinta motivado a perseguir determinada meta (ninguém vai se empolgar em lutar por alguma coisa que é fácil de conquistar). Contudo, creio que sua percepção como gestor ou dono do seu negócio é que deve determinar a complexidade deste desafio. Apenas esteja preparado para sempre avaliar e, se necessário, rever suas metas diante de novos cenários e oportunidade que apareçam em sua trajetória.

Diferentes percepções sobre planejamento entre empresas que sobrevieram e que fecharam as portas