Aprendendo com os filmes - Rua Cloverfield 10

Veja 3 lições que este surpreendente filme de suspense pode trazer para o seu negócio

 

Em meio a tantos filmes com super-heróis e blockbusters que são esperados neste ano, uma película de suspense vem surpreendendo a todos. Até fevereiro, pouco se falava de Rua Cloverfield 10. Contudo, bastou o lançamento de alguns trailers e saber que J.J. Abrams – diretor de Star Wars: o Despertar da Força – estava produzindo o filme para atiçar a curiosidade de muitas pessoas.

Esta curiosidade se refletiu nas bilheterias norte-americanas e nacionais, onde o filme conseguiu ótimo desempenho. Como explicar o sucesso deste filme e quais lições ele pode trazer para o seu negócio? Se você ainda não o assistiu, relaxe, pois o texto a seguir não tem spoilers.

Divulgação inteligente de Rua Cloverfield 10

1 – Preocupe-se muito mais em construir uma experiência marcante que em divulgá-la.

 

Ultimamente, quantos trailers você já viu que, apesar de muito bem feitos, acabam mostrando até demais sobre determinado filme? E quantos filmes são anunciados com bastante antecedência, gerando muita expectativa do público? Esta parece uma tendência cada vez maior e há uma razão para isto: insegurança quanto ao sucesso do próprio produto.

 

Em muitos casos, a produção de filme é cada vez mais cara. Logo, é preciso que o público assista para que o retorno nas bilheterias seja favorável. Isto leva as produtoras a mostrar cada vez mais seus filmes para que os clientes cheguem à conclusão de que vale a pena assisti-los.

 

Como vimos, Rua Cloverfield 10 subverteu esta lógica, anunciando o filme apenas dois meses antes da estreia e com trailers que mostravam pouco sobre a história. O objetivo era não estragar o suspense sobre o filme e deixar que aqueles que passaram pela experiência fizessem o marketing boca a boca. É possível até que este marketing seja negativo, pois não é possível agradar a todos. Mas ao ver a reação das pessoas ao final do filme, é fácil notar que ninguém conseguiu ficar indiferente diante do que viram.

 

Se o conceito de experiência é uma coisa nova para você, não deixe de conferir meu artigo sobre o tema.

Rua Cloverfield 10 - lições para o seu negócio

2 – Faça mais com menos, apostando no que sua empresa tem de melhor.

 

Uma das razões para que o filme não agrade a todos é que ele se passa quase todo em um cenário: o bunker que abriga os três personagens. Um filme assim pode parecer muito chato, mas, como Alfred Hitchcock já havia demonstrado em Festim Diabólico e A Dama Oculta, é possível criar ótimos filmes com pouca ou nenhuma variedade de cenário.

 

Há toneladas de tensão e suspense dentro do bunker de Rua Cloverfield 10. A plateia fica o tempo todo se perguntando sobre as intrigas levantadas pelos personagens, se a ameaça externa é real e se uma ameaça ainda maior não estaria onde eles julgam estar protegidos. Tudo funciona muito bem porque o roteiro é bem elaborado e os atores cumprem seu papel com louvor. O modo como a atriz Mary Elizabeth Winstead se comunica pelo olhar é fenomenal e John Goodman consegue, com muito talento, construir um personagem que é ao mesmo tempo bonachão e intimidador.

 

Não é sem razão que o filme é aclamado por críticos como um retorno às origens do cinema, em que poucos recursos não eram um impedimento para aqueles com talento e criatividade.

Diretor, produtor e atores de Rua Cloverfield 10

3 – Ser fiel a sua marca não deve ser um freio para o desejo de inovar.

 

Prometi no início do texto que o texto não incluiria spoilers. No entanto, é possível que este tópico acabe revelando mais sobre o filme, a depender do seu conhecimento sobre ele. O fato é que Rua Cloverfield 10 é uma continuação de Cloverfield – Monstro, de 2008. No entanto, se não fosse pelo nome e pelo desenrolar da história, você jamais pensaria isso. Ter visto ou não o primeiro filme não faz a menor diferença para entender o que se passa na produção mais recente.

 

O primeiro Cloverfield era uma mistura de Godzilla com A Bruxa de Blair e que acabou sendo bem recebida pelo público em geral. Desde 2008, fãs esperavam uma continuação, mas o que veio agora, oito anos depois, não pode ser visto como um “Cloverfield 2”. São filmes completamente distintos e é difícil até encontrar uma linha temporal entre as duas histórias. Esta é uma das maiores inovações de Rua Cloverfield 10: quem disse que a sequência de um filme precisa seguir ou ter forte relação com a história anterior? Por favor, não me venha com exemplos como Titanic 2 ou aquele Velozes e Furiosos lá no Japão, ok?

 

J.J. Abrams explicou esta inovação da forma seguinte forma: “O desejo do público de ver uma sequência não justifica a produção por si só. Você tem que ter uma ideia melhor do que as pessoas querem ver”. Apesar dos filmes serem muito distintos entre si, a história de ambos se encontra em um mesmo universo. Trazendo para o mundo dos negócios, é como se Cloverfield fosse uma marca guarda-chuva e os dois filmes fossem diferentes produtos desta marca. Ainda que eles não pareçam ter relação entre si, ambos carregam o DNA da marca, seus princípios e seu posicionamento estratégico. Por isto, antes de frear um projeto inovador por “não combinar” com sua marca, é preciso refletir sobre todos os elementos que a constituem.

10 Cloverfield Lane - liçõesde negócios

Se você viu o filme e identificou outras lições interessantes, por favor, não deixe de contribuir. Se gostou deste artigo, não deixe de ler nossa análise sobre o filme Mad Max: Estrada da Fúria e suas lições empreendedoras.

Artigo fermentado em 22/04/2016

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Autor:

Mauro Rodrigues - Consultor em Inovação no Relacionamento com o Cliente

 

Consultor e idealizador do Fermento nos Negócios, sou apaixonado por cinema e gosto de refletir sobre os aprendizados que bons filmes podem nos transmitir. SAIBA MAIS...