Deixando a inovação fluir

Saiba como criar um ambiente favorável à inovação na sua empresa

Apesar de reconhecerem a importância de inovar, é muito curioso observar como pequenos empresários encaram a inovação. Na minha experiência em consultorias, pude identificar três perfis predominantes de empresários: os que não sabem por onde começar a inovação; os que acreditam que só ele mesmo – e um ou outro funcionário “que vale por dez” – é quem tem ideias inovadoras; e os buscam trazer a inovação para a cultura da empresa, incentivando os colaboradores a participar com ideias inovadoras.

 

Recentemente, uma empresária que se encaixa neste ultimo perfil despertou a minha atenção para o seguinte fato: poucos têm consciência de como estruturar um ambiente favorável à inovação no seu negócio. Ela se queixava de que era um ou outro colaborador que contribuiu com a caixinha de ideias inovadoras que colocara há dois meses em seu restaurante. Sem falar que poucas das ideias apresentadas eram interessantes ou aproveitáveis.

 

É fácil dizer que incentiva a inovação no seu negócio porque coloca uma caixinha deste tipo e comunica a todos que está aberto a ideias inovadoras para a empresa. Ou então porque costuma convocar sua equipe para uma reunião de brainstorming e solicitar novas perspectivas para aquele problema. Na realidade, antes de adotar soluções deste tipo, todo o dono de empresa deveria questionar-se: “Se eu fosse um dos colaboradores da minha empresa, me sentiria motivado a propor alguma inovação?”.

 

Acredito que muitos dos pequenos empresários ainda veem a inovação como um evento, um acontecimento extraordinário que vai trazer a solução que eles tanto buscavam. É preciso ter em mente que a inovação é um processo. Como disse Thomas Edison, “Gênio é 1% inspiração e 99% transpiração”.

A caixinha matadora de ideias

 

Alguns podem argumentar que ao menos a empresária está tentando inovar, e que sua caixinha não é uma ideia ruim. No entanto, esta prática esta na lista entre os 10 comportamentos assassinos da inovação, segundo Thomas Koulopoulos.

 

Não importa se caixinha é física ou virtual, qualquer método que se proponha a coletar ideias inovadoras dos colaboradores deve ser capaz de administrar todas as ideias coletadas e dar uma resposta aos seus autores. Muitas vezes, o colaborador que contribuiu com uma ideia não fica sabendo se ela foi lida, o que acharam a seu respeito e se ela será acolhida ou não. E isto nos leva a um segundo problema: o critério de seleção.

O que faz uma ideia inovadora ser aceita ou não? Não basta sugerir que os colaboradores depositem suas ideias se eles não sabem quais os critérios que envolvem sua aprovação. Quando estes critérios ficam obscuros, há uma tendência de que tudo fique na mão do responsável por administrar a caixinha, e o que ele considera uma ideia interessante ou não pode não ser a ideal para o seu negócio. Respeito aos valores da empresa, alinhamento com o planejamento estratégico e um valor estipulado de investimento máximo são alguns dos critérios que você pode adotar para a seleção de ideias.

 

Quando a dona do restaurante colocou sua caixinha de ideias inovadoras, não considerou nada disso. E também não pensou em como “armazenar” as ideias que não foram aceitas e como dar um feedback aos autores destas ideias. E ao analisarmos tudo isso, é possível entender por que esta caixinha é uma assassina da inovação. Ao ler isto, é possível que alguém fique pensando: “ora, mas por que raios eu teria de ‘armazenar’ as ideias que não são interessantes para o meu negócio? Para que devo ter este trabalho?”. Se você pensou desta forma o convido a analisar a curiosa história de um dos produtos mais inovadores da 3M, o Post-it.

Podemos ver que a princípio o Post-it era a solução para um problema que ainda não estava claro. Uma ideia deste tipo teria tudo para ser descartada em um processo de seleção e cair no esquecimento. Mas estamos falando da 3M, uma das empresas mais inovadoras do mundo e que faz o possível para aproximar colaboradores para que juntos desenvolvam projetos inovadores. Por isso é interessante que as ideias que seriam descartadas sejam catalogadas e armazenadas, para que sejam revistas futuramente ou para que outros contribuam para seu aprimoramento.

 

Mas isto tem de dar certo, hein!?

 

Muitas empresas desejam que seus colaboradores contribuam com ideias inovadoras, mas poucas estão dispostas a lidar com a possibilidade de insucesso. Elas temem desperdiçar recursos e tempo em projetos que podem não dar certo; e este temor acaba por sufocar a inovação na empresa, pois, ao lidar com o desconhecido, não é possível encontrar o caminho certo sem se aventurar por caminhos errados.

 

Carl Honoré mostra, em sua obra Solução Gradual, que para cada 5 novos produtos, 4 fracassam em seu primeiro ano de lançamento. O erro é inerente ao processo de inovação, mas para cada falha é preciso que haja uma reflexão, um aprendizado sobre o que foi que deu errado. As lições que a Apple teve com o Newton Messagepad, o Pippin e o Macintosh Portable foram fundamentais para que ela obtivesse sucesso em lançamentos como o iPad. Segundo Einstein, “quem nunca cometeu um erro, nunca experimentou algo novo”.

 

O processo de inovação em uma empresa torna-se mais fortalecido quando há uma liderança que incentiva e orienta os colaboradores. Nas pequenas empresas este papel de liderança, muitas vezes, cabe ao empresário. Assim sendo, este empresário, mesmo que esteja muito frustrado pelo fato daquele projeto inovador não ter evoluído, não deve criticar duramente a equipe envolvida neste projeto ou humilhá-la pelos resultados não satisfatórios.

 

Quem são os colaboradores que irão propor alguma ideia inovadora ou se dispor a levá-la adiante? Não são aqueles que estão realmente interessados no sucesso da empresa? Por isso não se pode condenar os resultados de um esforço de inovação por parte de seus colaboradores, sob o risco de que iniciativas inovadoras nunca mais surjam em sua equipe. Contudo, não deixe de estimular o aprendizado.

Semeando um ambiente inovador no seu negócio

 

Espero que tenha ficado claro como a simples caixinha de ideias é insuficiente e pode ser até um empecilho para os que desejam criar um ambiente inovador no seu negócio. No decorrer do artigo abordei alguns dos 6 Fatores de Sucesso da Inovação, definidos por Koulopoulos em sua obra Inovação com Resultado. São eles:

 

1 – Criação de uma função específica: alguém responsável por estabelecer os critérios de avaliação das ideias inovadoras e por definir os processos necessários.

 

2 – Incentivos para os inventores: um ambiente favorável a iniciativas inovadoras e que seja tolerante a falhas.

 

3 – Solução interna: promoção de um ambiente cooperativo entre os colaboradores da empresa, do modo que uma ideia ou solução possa ser explorada e testada por uma equipe específica (lembre-se do exemplo do Post-it).

 

4 – Métricas: A importância de mensurar o progresso e o êxito de um projeto inovador

 

5 – Informação integrada: o sistema que irá fornecer suporte ao fluxo e compartilhamento de ideias e informações sobre o projeto inovador

 

6 – Liderança: o empresário, com visão de longo prazo, deve manter a chama da inovação acesa em seu negócio.

 

 

Em artigos futuros, irei abordar os demais fatores que não foram tratados neste texto. Inscreva-se em na newsletter do Fermento dos Negócios para saber quando estes artigos forem publicados e para informar-se sobre oportunidades de inovação para o seu negócio.

 

Aos empresários que desejam saber mais sobre como criar um ambiente inovador em seu negócio, recomendo a ferramenta 4Ps da Inovação pra PMEs, disponível para download no website do Movimento Empreenda. As obras que mencionei no decorrer do texto também são ótimas fontes de conhecimento neste tema.

Artigo fermentado em 11/09/2016

Autor:

Mauro Rodrigues - Consultor em Inovação no Relacionamento com o Cliente

Idealizador do Fermento nos Negócios, ajudo pequenas e grandes empresas na árdua tarefa de construir uma cultura inovadora. SAIBA MAIS...

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